Em entrevista ao site da UOL, o CEO da GoWork Fernando Bottura fala sobre o futuro do coworking e sobre os impactos que a pandemia teve no setor.

Pandemia mudou utilização dos coworkings – saiba o que o setor prevê para o futuro do trabalho

Como vários outros setores, os coworkings sofreu um golpe forte logo no início da pandemia.

Letícia Vieira

Como vários outros setores, os coworkings sofreu um golpe forte logo no início da pandemia. Mas já no segundo semestre de 2020 o setor não só se reergueu como ganhou um novo público: as empresas tradicionais.

Grandes companhias que antes nem cogitavam flexibilizar o modelo de trabalho se desfizeram dos escritórios particulares e passaram a ver vantagens no modelo flexível dos coworkings. Para saber como o setor tem lidado com essas mudanças, o 6 Minutos conversou com líderes das maiores redes atuantes no país.

Qual foi o impacto dos primeiros meses de pandemia? Com o baque inicial da pandemia, o setor de coworkings, que vinha de um crescimento anual de 25%, se deparou com um cenário de incertezas. De acordo com um levantamento do Coworking Brasil, 23 espaços precisaram fechar as portas no país.

As grandes redes não enfrentaram um risco tão alto, mas os primeiros meses também foram difíceis para elas.

Houve perdas de portfólio e os coworkings precisaram contar com seus modelos mais flexíveis de contrato para manter os clientes.

“A pauta era ‘home office’. Os pequenos empreendedores conseguiram se segurar um mês e meio e no segundo mês começaram a fazer devolução de estações de trabalho. Depois, as empresas maiores também começaram a pedir redução na quantidade de estações. Na época, a gente perdeu quase 30% do nosso parque”, afirma Fernando Bottura, fundador e CEO da GoWork.

E a recuperação, quando veio? A virada do setor veio entre os meses de setembro e outubro. A procura chegou a superar até os números do pré-pandemia.

Além da volta dos pequenos empreendedores, o que impulsionou a retomada foi a procura das empresas de médio e grande porte. Em geral, elas haviam cortado os altos aluguéis dos escritórios convencionais e estavam interessadas nas soluções dos coworkings para estabelecer um modelo híbrido, com dias de home office e dias de escritório.

“Com esse tipo de demanda, em novembro a gente já voltou a ter a ocupação de antes da pandemia. Hoje, eu tenho dois prédios, somando 14 mil estações de trabalho, em cotação, esperando um direcionamento de para onde vai o mercado”, diz Bottura.

Na GoWork, está sendo observado também um aumento na utilização dos espaços comuns e áreas livres, como aponta Bottura. “A demanda pelas nossas salas de reunião baixou em 40%. Hoje você sai pelos lounges externos e encontra equipes inteiras com um flip chart, fazendo reunião ao ar livre”.

O que esperar de 2021? Neste primeiro trimestre, a GoWork  registrou um aumento de 300% na procura pelos produtos do coworking, com mais de 30 mil estações de trabalho em cotação.

Para 2021, a empresa prevê um crescimento de 100% nos 12meses subsequentes à mudança para a fase verde em São Paulo. Para isso, a companhia planeja investir R$ 20 milhões e ampliar sua operação em 25 mil m² de área construída na capital paulista, onde concentra sua atuação.